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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Monstro

Ele era um homem violento.
Era o que lhe diziam.
Por isso se amordaçava, prendia a violência que tinha.
Mas ela escapava, deslizava pelos poros.
O fluido intenso tocava o ar e se inflamava.
Queimava o corpo, desatava as amarras: eis o monstro à solta.
Imenso, quente, poderoso... e ridículo como todos os homens.
O monstro não destruía casas, não arremessava montanhas, apenas existia.
Na verdade luzia, brilhava no fundo daquela alma. E mostrava ao homem o que ele não queria.
Por isso ele o escondia, o amordaçava, o prendia.
Era um homem violento, violentava o próprio monstro que o consumia...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A indiferença se manifesta
não quando uma presença não é querida,
mas sim quando uma ausência já não é sentida.
Quando perdemos o encanto diante dos olhos de alguém
somos criticados pelo que somos, pelo que não somos,
por não correspondermos aos sonhos...

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Corpo

O corpo já está um pouco apodrecido. Também já fazem dois dias.
Poderia dizer que foi sem intenção? Sem desejo de matar?
Não tenho certeza disso.
Bati com força. Sem dó. Sem ódio. Só bati.
Não sei se era preciso tanto, mas ele estava me incomodando.
Eu só queria ler um livro. Apenas ler, respirar, sorver o conhecimento daqueles livros.
Mas ele não permitia isso. Fazia barulho, incomodava.
Pela sua aparência percebi que seria impossível nos entendermos com palavras,  por isso tentei afugentá-lo com gestos.
Mas não adiantou, pois ele não se intimidou.
Perdi a paciência e bati com um volume encadernado em sua cabeça.
Ele parece não ter sentido nada. Nem a pancada e muito menos a imponência de um volume encadernado.
Realmente era uma criatura insensível.
Por isso bati de novo. Um golpe forte. Certeiro. Acertei em cheio.
Uma parte da cabeça foi esmagada. A criatura negra e robusta ficou imóvel, silenciosa.
Em meio a tanto silêncio escondi o corpo junto ao lixo.
Limpei o livro. Lavei as mãos.
De mãos limpas retornei às minhas leituras.

No dia seguinte notei que o corpo continuava no mesmo lugar.
Será que ninguém o viu? Ou se viu fingiu que não viu?
Bem, como ele estava imóvel, silencioso e não atrapalhava minha leitura, não me importei.

Hoje, após dois dias, o corpo continua ali.
Podre já incomoda. A podridão sempre incomoda, por isso a escondemos.
Quanto tempo mais este corpo ficará ali?
De quanto em quanto tempo recolhem o lixo deste lugar?
Vou reclamar do esquema de limpeza daqui.
Espero que o pessoal da faxina não fique bravo por ter de recolher o corpo.
Não o coloquei dentro dos sacos porque tive nojo.
Não gosto de pegar em insetos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O consumidor de liberdade sente-se livre de responsabilidades, de compromisso. Só está preso a um ponto: o seu umbigo.
Portanto, leal ao umbigo, fere o amigo, dorme com o inimigo.
Tanto faz, tudo traz brilho ao seu sorriso.
Ele não é um libertário, é um adepto do egoísmo.
Uma forma sutil e arriscada de dominar o dominador é criar a ilusão de que o mesmo tem controle absoluto de tudo. Diante desta situação ele pode tornar-se extremamente agressivo, porém também torna-se descuidado, já que imagina que o outro é submisso aos seus desejos e não percebe que pode estar sendo submetido aos desejos do outro.
Às vezes a luminosidade é tão intensa e o calor é tão envolvente que o nosso olhar fica chamuscado e o nosso corpo ausente.

Trabalhos Iniciais

Vamos dar início aos nossos trabalhos.